quinta-feira, 26 de abril de 2012

Quando voce disse . . .

Setecentos e cinquenta e seis dias, o que voce esta fazendo da sua vida? Como se eu tivesse ideia do que eu mesmo estou fazendo da minha. A rotina que esta faltando alguem aqui. Não era você que ia salvar o meu mundo e mudá-lo radicalmente em um dia? Até que conseguimos aumentar esse tempo com paciência e desaprovação. Quando a gente vive com muita vontade alguma coisa, a mentira se torna real demais pra que a gente acredite que era só uma mentira. Ela constrói um mundo inteiro como se fosse um castelo de sentimentos. Prazer, Traição. A mentira veio e soprou o castelo, deu meia volta e nos colocou em uma armadilha.

Eu te projetei um pouco. Mas essa confissão a gente só faz depois que já passou uns dias maldizendo e dizendo que a culpa é toda nossa. Existe uma sensação de poder em volta da culpa. A culpa foi minha, logo, não deu certo por minha causa. Eu mantive esse egocentrismo durante todo o tempo e agora eu me vejo nessa posição de controle que é fascinante. Você pode se assustar com a forma com que estou lidando com isso e me chamar de cruel. Mas eu acho que você que era sensata demais. Você precisa de mim e eu de voce. Eu sou do tipo de perdedor que mantém um troféu em casa e se vicia em apostas. A maior delas foi você. Eu achava que conseguiria corromper essa sua coisa sonhadora e idealizada. Você era boa demais, sabe… Bonitinha demais, legalzinha demais, boazinha demais. Você tinha um conjunto certo demais. E isso sempre foi bom demais. Mas cada um de nós pensa que pode mudar o outro para que ele se pareça mais com o que a gente espera. Vamos conseguir romper isso e ser realista; vamos conseguir reprimir o pudor e fazer uma lista; vamos se deixar levar por mim e se largar de lado. Eu queria uma mulher feita para deixar de ser. Eu queria você assim: como eu quero. Com toda a intensidade e da maneira que eu acho melhor. Mas, porra! Você tinha que cismar em brincar com a minha paciência e se preencher com coisas tão vazias.

Eu queria discutir com você sobre o seu novo manual de instruções, mas você foi rápida demais. Precisava dizer que era pra você ficar e que a gente podia se destruir junto. Eu sempre gostei desse joguinho de quem fere mais e quem ama menos. Masoquismo puro, meu bem.

 Mas, aqui fica a lição que eu tanto quis te ensinar: nenhuma pessoa é lugar de repouso. Meu bem. Você acaba de descobrir que a pena é muito dura para carregar sozinha. Mas, se quiser, eu te ajudo nessa.  Se me deixasse falar, eu teria me despedido de vez. Você só virou a chave, virou a cara, virou o mundo e me disse que. É uma pena, mas . . .